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Acordo Petrobras-Pemex avança em petróleo e gás, águas profundas, refino e captura de carbono, mas exige estrutura jurídica antes de futuros investimentos

Memorando assinado em junho de 2026 abre caminho para cooperação técnica, enquanto contratos, regulação, tributação e governança definirão eventuais projetos internacionais


Primeiramente, Petrobras e Petróleos Mexicanos (Pemex) assinaram, em 23 de junho de 2026, um Memorando de Entendimento para ampliar a cooperação em petróleo e gás.

Além disso, o documento envolve exploração, produção, campos maduros, águas profundas, refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás e captura de carbono.

Entretanto, o acordo não representa compromisso vinculante de investimento. Também não cria sociedade, consórcio ou joint venture.

Portanto, eventuais projetos dependerão de estudos de viabilidade, negociações posteriores, aprovações internas e instrumentos jurídicos específicos. O memorando vale por dois anos e poderá ser renovado.

Petrobras e Pemex miram exploração e produção

Nesse contexto, segundo a Agência Petrobras, as companhias avaliarão iniciativas para revitalizar campos maduros e realizar reprocessamento sísmico.

Além disso, serão analisadas oportunidades exploratórias em águas profundas e ultraprofundas, incluindo ativos no Golfo do México.

Paralelamente, o acordo permite cooperação em refino, petroquímica, fertilizantes, processamento de gás, eficiência energética, redução de emissões e captura de carbono.

Ainda assim, nenhum cronograma ou volume de investimentos foi definido.

Além disso, Magda Chambriard indicou que futuras oportunidades poderão ser avaliadas no México, no Brasil e em países africanos.

Estrutura jurídica será decisiva

Porém, quando a cooperação técnica evolui para investimentos, os desafios jurídicos aumentam significativamente.

Assim, projetos internacionais precisam compatibilizar diferentes modelos regulatórios, regimes tributários, normas cambiais, remessas internacionais e exigências ambientais.

Além disso, estruturas societárias, governança, integridade, contratação e prevenção à corrupção precisam ser consideradas.

Sobretudo, quando empresas controladas pelo Estado participam da operação, esses mecanismos ganham ainda mais importância.

México mudou regras do setor energético

Nesse cenário, o México passou por uma reorganização de seu marco energético em 18 de março de 2025.

Naquela data, foi publicada a nova Lei da Empresa Pública do Estado, Petróleos Mexicanos, juntamente com a Lei do Setor de Hidrocarbonetos.

Consequentemente, a Pemex passou a ser enquadrada juridicamente como empresa pública do Estado mexicano. Portanto, projetos futuros deverão considerar esse ambiente regulatório.

Investidores estrangeiros precisam observar regras brasileiras

Por outro lado, no Brasil, a exploração e produção de petróleo e gás estão submetidas à regulação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, a ANP.

Assim, empresas podem enfrentar exigências técnicas, econômico-financeiras e jurídicas, além de compromissos específicos conforme cada contrato.

Além disso, joint ventures, consórcios e sociedades de propósito específico apresentam consequências diferentes para governança, tributação, responsabilidade e financiamento.

Da mesma forma, transferência de tecnologia, serviços técnicos, compartilhamento de dados e remuneração internacional podem produzir efeitos tributários.

Internacionalização exige análise país por país

Finalmente, empresas brasileiras que investem no exterior também precisam considerar arbitragem, tributação internacional, proteção de investimentos e regras ambientais.

Nesse sentido, Brasil e México possuem um Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos.

Embora assinado em 26 de maio de 2015, o instrumento entrou em vigor em 7 de outubro de 2018, segundo o Siscomex.

Além disso, eventuais projetos africanos precisarão ser avaliados individualmente, porque cada país possui legislação, instituições e regimes fiscais próprios.

Portanto, o memorando Petrobras-Pemex abre possibilidades, mas ainda não define investimentos.

Acima de tudo, caso os estudos avancem, contratos deverão estabelecer governança, responsabilidades, riscos, tributação, propriedade de dados, tecnologia, obrigações ambientais e solução de disputas.

Assim, no petróleo e gás internacional, a segurança jurídica começa antes mesmo do primeiro investimento.

Por Julia Borges da Mota e Thiago Bandeira


Fonte: Click Petróleo e Gás
Foto: Canva

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